Oportunidades de intervenção em coberturas

Para além das suas funções primordiais, as coberturas estão profundamente ligadas a aspetos essenciais da vida urbana. Como tal, é necessário que exista um controlo das condições em que estas se encontram e que se proceda a intervenções sempre que necessário. Cada intervenção deve também ser encarada como uma janela de oportunidade para otimização das mesmas. Continue a ler para saber mais. 

 

 

O contributo de uma cobertura para o bom desempenho energético do edifício 

A qualificação energética é dos aspetos mais importantes a considerar no momento de intervir numa cobertura existente. Mesmo que o objetivo primordial da intervenção seja eliminar uma patologia comum como a entrada de água da chuva, a mesma pode ser aproveitada como uma oportunidade para melhorar o desempenho energético de toda a cobertura.

 

Na maior parte dos casos, esta melhoria terá enormes benefícios quanto ao conforto ambiental, à qualidade do ar interior, e também às economias de consumo da energia associada ao conforto. Desta forma, reduz-se a necessidade de utilização de sistemas de aquecimento e arrefecimento. 

 

Algumas coberturas existentes não dispõem de isolamento térmico e, quando existe, é insuficiente ou está mal aplicado. Esta importante componente, sempre que bem aplicada, resolve muitos dos problemas que afetam o interior do edifício: 

 

  • Aumenta o conforto durante o Inverno, porque reduz as perdas térmicas e interrompe o fluxo ascendente do calor gerado no interior do edifício;
  • Aumenta o conforto durante o Verão, porque reduz os ganhos de calor, devido à temperatura exterior mais elevada e à exposição directa da cobertura à radiação solar, impedindo a entrada de calor pela cobertura resultante da conjugação das duas situações; 
  • O fenómeno indesejado das condensações (bem como os focos nefastos de micro-organismos), diminui quando se uniformizam e atenuam as temperaturas das superfícies em contacto com o ar interior;
  • Contribui para assegurar a longevidade dos materiais estruturais que constituem a cobertura, porque reduz a sua exposição às amplitudes térmicas características do clima português.

 

 

O contributo da cobertura para a boa gestão da água na cidade

As coberturas verdes ou ajardinadas são cada vez mais populares na atualidade. Para além da componente estética, este tipo de cobertura apresenta muitas vantagens que veremos ao longo deste artigo, sendo uma delas a contribuição para uma melhor gestão das águas pluviais.  

 

Todas as superfícies verdes contribuem para atenuar o efeito prejudicial de chuvas torrenciais sobre áreas sensíveis da cidade, porque conseguem retardar o escoamento superficial das águas pluviais. O edificado e as infra-estruturas urbanas podem contribuir para, em primeiro lugar, retardar o efeito da escorrência das águas pluviais e, em segundo lugar, dar aproveitamento a essas águas para usos não potáveis: rega, lavagens, descargas de sanitas (salvaguardando todas as regras de segurança), entre outros. Ao se utilizar essas águas, está-se a salvaguardar as águas potáveis, que são um recurso precioso.  

 

O planeamento urbano deve, neste sentido, determinar não apenas os parâmetros da permeabilidade em profundidade dos solos urbanos, mas também considerar a capacidade das coberturas dos edifícios para a retenção temporária de água da chuva. 

 

 

 

O contributo de uma cobertura para a boa gestão da energia na cidade

As preocupações ambientais estão na ordem do dia, sendo, cada vez mais, reconhecidas como um sinal de progresso na organização do espaço urbano. 

 

A produção de eletricidade e de calor, quando recorre a sistemas que transformam energias endógenas, contribui decisivamente para a segurança do abastecimento de energia e para aumentar a resiliência urbana. Estes sistemas são compatíveis com superfícies vegetais e são facilmente integráveis nas coberturas. 

 

A transformação de energia renovável em energia útil, de forma descentralizada, é uma medida fundamental para a prosperidade social. Para que esta prosperidade se faça sentir de uma forma alargada e para que os benefícios resultantes revertam a favor dos utilizadores finais, é necessário que as oportunidades de intervenção sejam aproveitadas.

 

Para alargarmos a prática de gerar energia à escala local, utilizando, tanto quanto possível, recursos endógenos – a temperatura ambiente, o sol e o vento – o planeamento urbano precisa de definir os espaços adequados para estas instalações, tanto em logradouros, espaços sobrantes, espaços públicos, fachadas de edifícios e, é claro, coberturas. 

 

 

 

O contributo de uma cobertura para a boa gestão da segurança alimentar na cidade

Cada vez ouviremos falar mais no termo “agricultura urbana”. A agricultura urbana pode apresentar várias vantagens, entre as quais:

 

  • Redução do efeitos negativos da pobreza nas cidades;
  • Reforço da resiliência urbana, em períodos de adversidade (em caso de catástrofe, a produtividade alimentar das superfícies vegetais pode contribuir para aumentar a sobrevivência da comunidade);
  • Coesão de comunidades urbanas;
  • Equilíbrio emocional e espiritual dos cidadãos. 

 

Apesar de em muitas cidades ainda ser uma prática em lento crescimento e ainda associada a certos estigmas, é essencial que as cidades se tornem cada vez mais auto-suficientes em matéria dos alimentos que consomem.

 

Nesse sentido, é urgente repensar o planeamento do espaço urbano, tirando partido das superfícies mal aproveitadas, como as coberturas dos edifícios, e utilizando recursos endógenos, como o aproveitamento da água pluvial para a rega. 

 

 

 

O contributo de uma cobertura para a boa gestão da qualidade do ar e do ruído na cidade

Tantas décadas consecutivas de transportes urbanos a utilizar motores de combustão e combustíveis fósseis contribuíram decisivamente para poluir e deteriorar a qualidade do ar exterior e para aumentar o ruído nas cidades, colocando em risco a saúde e a vida de muitos cidadãos.

 

As populações urbanas são, cada vez mais, vítimas de doenças do foro respiratório e a principal reclamação ambiental dos cidadãos está associada ao ruído.

 

Todas as superfícies verdes contribuem para atenuar algum ruído, para reter partículas suspensas, para absorver a poluição e atenuar o efeito negativo da falta de qualidade do ar exterior sobre as pessoas mais sensíveis que passam o seu tempo na cidade.  

 

Para melhorar a qualidade do ar exterior, além de minimizar as causas da poluição, é importante que o planeamento urbano determine quais são os espaços adequados para serem transformados em superfícies verdes e vivas. As coberturas não devem ficar de fora da equação. 

 

 

 

O contributo de uma cobertura para a boa gestão do clima na cidade 

Já ouviu falar do efeito “ilha de calor urbana”? Este efeito resulta da incapacidade das cidades de escoar energia térmica durante as ondas de calor, colocando em risco a vida de muitas pessoas que as habitam, uma vez que o gradiente térmico pode superar 5ºC, se comparado com as áreas circundantes rurais. 

 

Elevadas temperaturas podem ser letais para grupos mais vulneráveis: idosos, crianças doentes e para todos aqueles que não tenham forma de se proteger de tais temperaturas, como os sem-abrigo. 

 

Todas as superfícies verdes e aquelas em que foram aplicados revestimentos com elevada refletividade contribuem para atenuar o efeito negativo de ondas de calor sobre as populações mais frágeis da cidade. 

 

As superfícies verdes têm a capacidade de acumular a água pluvial e a da rega, pelo efeito da vapo-transpiração, para atenuarem a temperatura exterior em fases de calor.

 

Para atenuar o efeito “ilha de calor” é importante que o planeamento determine o grau de atenuação climática desejado, de uma forma quantificada, definindo também metas de desempenho e eventuais incentivos para desempenhos de excelência.

 

 

 

O contributo de uma cobertura para a boa gestão da biodiversidade na cidade

Mesmo que, por definição, as coberturas na cidade constituam um plano descontínuo a uma quota elevada, quando lhes acrescentarmos a dimensão vegetal, resultam em ilhas de biodiversidade. Estas ilhas serão cada vez mais importantes para assegurar a sobrevivência de espécies vegetais e contribuírem decisivamente para a sustentabilidade urbana e para a qualidade de vida dos cidadãos. 

 

As cidades podem, assim, assumir um papel essencial na prevenção da biodiversidade, com o contributo de todos os cidadãos. Quanto maior o número de ilhas de biodiversidade e quanto mais próximas estas se encontrarem umas das outras, maior será a probabilidade de sobrevivência e de desenvolvimento das espécies de insectos e microorganismos, tão importantes para a polinização de espécies relevantes e, consequentemente, benéficas para o equilíbrio e bem-estar da ecosfera.

 

 

 

 

O contributo de uma cobertura para o bem-estar e a qualidade de vida dos habitantes

Se formos a analisar, o bem-estar e a qualidade de vida são os fatores que mais motivam os proprietários de edifícios a intervirem no meio edificado, porque resultam no conforto que a sua habitação lhes oferece. 

 

Sobretudo o conforto térmico, mas também a qualidade do ar interior e, consequentemente, a salubridade estão associados à constituição da cobertura e à condição de a mesma desempenhar correctamente a sua função. 

 

O conforto térmico é também uma pré-condição para a produtividade, porque afeta a nossa concentração. Se pensarmos num edifício de escritórios, faltando o conforto aos funcionários, estes estarão menos focados e menos criativos, o que poderá resultar em prejuízos graves para a organização.  

 

O bem-estar é uma condição abrangente. Integra a nossa percepção de conforto – acústico, visual e térmico -, de salubridade (qualidade do ar interior), do clima, da qualidade do relacionamento com a comunidade e com a realidade que nos rodeiam, entre outros factores. 

 

O ser humano é um ser social e, portanto, a socialização é também ela um aspeto fundamental da nossa qualidade de vida. Uma cobertura visitável e, idealmente, verde, que constitua um espaço colectivo de um edifício habitacional, pode contribuir para consolidar as redes humanas e sociais, proporcionando o convívio informal entre vizinhos. O apoio e disponibilidade para a entreajuda entre vizinhos pode ser um fator extremamente fortalecedor da comunidade local. 

 

 

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Artigo baseado no livro “Coberturas Eficientes – 3  I Guia para Reabilitação Energético Ambiental do Edificado” da Adene – Agência para a Energia

 

Lar Paroquial Amélia Madaíl, em Aveiro

Obra da Prudêncio

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