Reabilitação da cobertura do edifício Sede da EDP em Castelo de Bode
Há obras que desafiam pela escala. Outras, pela complexidade técnica. E há aquelas que, além de tudo isso, são um verdadeiro privilégio: intervir num edifício que é parte integrante de uma infraestrutura crítica nacional.
Foi o caso da reabilitação da cobertura da Sede da Direção Tejo Mondego da EDP, adjacente à emblemática central hidroelétrica de Castelo de Bode.
Esta obra não foi apenas um desafio de engenharia. Representou também uma contribuição direta para a preservação de um edifício de apoio a uma instalação essencial, onde a história e a inovação continuam a mover energia.
Um edifício no coração da energia nacional
A barragem de Castelo de Bode, no concelho de Tomar, é muito mais do que uma infraestrutura hidroelétrica. Desde a sua inauguração em 1951, tem sido um dos maiores símbolos da engenharia nacional e uma peça-chave no abastecimento energético e hídrico do país.
Hoje, integra o Centro de Produção Tejo-Mondego e destaca-se por:
- Abastecer mais de 2 milhões de pessoas na região de Lisboa e concelhos limítrofes
- Ter uma albufeira com 60 km de extensão, cobrindo mais de 3.300 hectares
- Contribuir para a preservação dos ecossistemas fluviais, assegurando o caudal ecológico a jusante

Imagem panorâmica da barragem de Castelo de Bode
Energia autónoma e um ecossistema protegido
A central de Castelo de Bode é uma das poucas em Portugal com capacidade para realizar um “black start“, ou seja, reiniciar a rede elétrica de forma autónoma, sem depender de fontes externas. Este processo, crucial após falhas de energia generalizadas, foi determinante, por exemplo, durante o apagão que afetou a Península Ibérica em abril de 2025.
A operação é realizada através de dois mini geradores hídricos, que permitem o arranque dos três geradores principais. Além disso, estes mini geradores asseguram o cumprimento do caudal ecológico: uma libertação controlada de água essencial para manter o equilíbrio ambiental dos rios a jusante.

Geradores da central de Castelo de Bode
Este caudal ecológico garante:
- A preservação dos habitats fluviais
- A qualidade da água
- A sustentabilidade dos ecossistemas ribeirinhos
É neste ambiente, onde se cruza a produção de energia, a engenharia e o compromisso ambiental, que a Prudêncio interveio.
O desafio técnico: complexidade estrutural a diferentes alturas
A cobertura do edifício apresentava uma configuração variada e uma composição complexa, incluindo zonas com laje aligeirada e laje maciça, revestidas com zinco sobre uma base de betonilha leve e cortiça.
Os principais desafios incluíram:
- Altura variável da camada de forma, entre 210 mm e 350 mm
- Vários elementos técnicos a atravessar a cobertura, como clarabóias, muros e remates irregulares
- Exigência de uma solução duradoura, estanque e também do ponto de vista térmico
Não era possível aplicar uma solução convencional. Este contexto exigiu um sistema adaptado às especificidades do edifício.


Durante a execução da obra
A solução Prudêncio
Para responder às particularidades da obra, foi aplicado o seguinte sistema de reabilitação:
- Aplicação de placas de espuma de poliisocianurato (PIR) sobre calços de EPS, que garantiu, simultaneamente, uma base plana resistente para receber o sistema de impermeabilização e o isolamento térmico
- Fixação mecânica apenas das placas de PIR ao suporte resistente, com características e dimensões adaptadas aos diferentes tipos de betão e alturas variáveis existentes
Sobre estas, foi aplicado um sistema de impermeabilização colado, composto por:
- Cola de poliuretano KÖSTER Membrane Adhesive
- Membrana KÖSTER TPO 1,5 F, com malha de fibra de vidro e face interior revestida a poliéster de 250g, garantindo adesão e resistência acrescida


Resultado final da impermeabilização da cobertura
Além das coberturas, foram também impermeabilizados os muros e restantes elementos construtivos, com continuidade do sistema para assegurar máxima estanquidade.
Para garantir iluminação natural eficaz, com extinção das pontes térmicas e uma ligação estanque ao sistema de impermeabilização, substituímos as antigas clarabóias por tubos solares Solatube, reforçando ainda mais a eficiência energética da cobertura.
Todo o sistema foi executado de forma contínua, segura e controlada, respeitando os padrões de exigência de um edifício desta natureza.

Instalação de tubos solares Solatube
Uma intervenção que honra a confiança do cliente e o valor do local
A obra foi concluída com sucesso e com reconhecimento direto do cliente. Tivemos ainda o privilégio de uma visita guiada ao interior da central, para conhecer de perto a dimensão estratégica deste local onde a Prudêncio deixou a sua marca.

Túneis internos do barramento / Antigo posto de comando, hoje convertido em espaço museológico
Hoje, a cobertura do Edifício Sede da EDP em Castelo de Bode está:
- 100% estanque e protegida contra infiltrações
- Com desempenho térmico superior
- Preparada para os desafios climáticos e funcionais
- Eficiente e alinhada com os objetivos de sustentabilidade da própria central
Quando reabilitar é proteger algo maior
Este projeto mostrou, uma vez mais, que reabilitar uma cobertura vai muito além da parte técnica. É um compromisso de responsabilidade e precisão. Quando o edifício em causa apoia a rede elétrica nacional, cada pormenor faz a diferença.
Na Prudêncio, acreditamos que impermeabilizar é mais do que proteger estruturas: é proteger o que elas representam.
Quer ver mais exemplos do nosso trabalho? Explore as soluções técnicas que aplicamos em cada projeto.